sábado, 21 de outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Novo surto de peste em Madagascar

Madagascar vem sendo periodicamente atacada pela Yersinia pestis em surtos locais. Um novo surto foi agora anunciado. A forma pneumônica da doença vem sendo sistematicamente observada entre os casos bubônicos. As condições para uma epidemia estão presentes, talvez o determinante seja alguma alteração climática favorável (v. em meu livro discussão sobre o assunto).

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Lançamento do meu site "Trilogia da Peste"


Visitem e explorem o site Trilogia da Peste e recomendem aos amigos e alunos.

Aproveitem e deem uma paradinha para saber algo sobre o nosso Instituto Stokastos.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Lançamento do livro "O Enigma da Peste Negra". Convite

Meu livro "O Enigma da Peste Negra" terá seu lançamento na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon. O convite abaixo é para todos, será um prazer tê-los na noite de autógrafos.


“Esta obra é um exaustivo estudo sobre a epidemiologia, história, biologia, ecologia, virulência e evolução da mais terrível e letal arma biológica que a Natureza criou para destruir a civilização humana. O autor desenvolve a teoria de que a Peste Negra emergiu no Egito na 18ª dinastia e se espalhou no mundo antigo encerrando a Idade do Bronze, tendo evoluído na África Central e Oriental e daí se espalhado pelo mundo através das rotas comerciais. Ele contesta a tese atualmente aceita de que a Peste evoluiu e se disseminou a partir da Ásia Central; mostra, com base em numerosas provas, que a tese de que a Pandemia Medieval não foi devido à Yersinia pestis é uma falácia; e desenvolve a teoria de que as grandes pandemias de peste levaram à globalização de uma rede ecológica com potencial de disseminação do bacilo pestífero em qualquer parte do mundo. O estudo inclui ainda uma revisão completa sobre alterações climáticas e as pandemias de peste, um capítulo sobre evolução da virulência e uma conclusão sobre globalização e pandemias”.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Zika x microcefalia: a controvérsia continua

Será apenas no Brasil que o vírus zika está causando microcefalia (síndrome da zika congênita)? Até agora isso é somente uma declaração oficial do Ministério da Saúde, as evidências científicas/dados plausíveis não foram ainda expostos. E enquanto isso, na Colômbia, com mais de 7.600 grávidas infectadas, não há relatos de associação com microcefalia nos fetos, idem em El Salvador. Na Venezuela também não há relato de tal associação. Também na epidemia em Cabo Verde, na África, não se observou a associação. Em Sergipe, casos de microcefalia começaram a explodir a partir de agosto de 2015, juntamente com a epidemia de zika no Nordeste, porém, esses casos não foram reagentes para o vírus zika, o que está sendo considerado um "enigma". Ora, isto nos mostra que microcefalia x zika não é um paradigma, e outras associações devem ser procuradas antes de se falar em causalidade.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Zika: alguns esclarecimentos

O vírus zika virou celebridade internacional depois que o governo brasileiro decretou ser ele o "agente causal" de microcefalia congênita. É a primeira vez que uma causalidade epidemiológica é afirmada por decreto, deixando os virologistas e epidemiologistas perplexos. Entretanto, os importantíssimos dados epidemiológicos e demográficos que precisamos para investigar mais a fundo a declaração do Ministério da Saúde aparentemente desapareceram. Onde estão os dados que sugerem uma forte associação entre vírus zika e microcefalia? Notícias nos chegam que nas epidemias de zika na Colômbia, El Salvador, Cabo Verde e na própria Polinésia não se observou microcefalia em bebês de grávidas infectadas. A conferir.

Outra "novidade" é a de certos pesquisadores compararem o vírus zika ao da encefalite japonesa (ou venezuelana, ou de St. Louis, ou West Nile etc.). Ora, não há evidências de encefalite por zika. É preciso não confundir as coisas. Vejamos:

1) Vírus agentes de encefalites são aqueles que provocam encefalite ou meningoencefalite em uma parcela dos infectados, deixando uma parte desta com sequelas neurológicas (paralisia, cegueira, etc.);

2) O síndrome de Guillain-Barré, que parece estar associado à infecção por zika (veja meu post "É o vírus zika neurotrópico?"), não é encefalite, mas uma inflamação na medula. Não se pode classificá-lo como um "vírus causador de encefalite" ou compará-lo com encefalite japonesa ou qualquer outra.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Febre amarela, uma ameaça potencial

Uma epidemia de febre amarela, a mais letal das arboviroses conhecidas, reapareceu após 30 anos de silêncio epidemiológico em Angola e matou 51 pessoas entre 241 casos suspeitos (21,2%). Em Luanda, capital do país, subúrbio de Viana, notificou-se 29 mortes entre 92 casos (31,5%).
Considerando que a febre amarela urbana é transmitida pelo nosso velho conhecido Aedes aegypti e A.  albopictus e que o trânsito de pessoas de Angola para o Brasil e vice-versa é muito intenso, temos a probabilidade de importação desse vírus entre nós. Temos tudo aqui que favorecerá a entrada desse vírus: o vetor, a suscetibilidade da população, o tráfego intenso e renovado entre os dois países.
Se fizermos uma projeção teórica para 1 milhão de habitantes suscetíveis ao vírus, teríamos, com essa mortalidade, uma epidemia de febre amarela com 210 mil vítimas fatais. Isto significa colapso social, econômico e político, e a demanda por assistência médica intensiva estaria além da demanda de todos os hospitais juntos (talvez 2 mil leitos disponíveis em toda cidade para cuidados intensivos, considerando uma população total de 6 milhões). 
A febre amarela tem vacina, e seria o caso de vacinar a população exposta no caso de detecção de casos entre nós (haverá quantidade disponível?). Vigilância epidemiológica é agora necessária diante desse surto em um país com o qual mantemos intensa relação. Já tivemos a entrada da dengue e mais recentemente dos vírus africanos zika e chikungunya. Tudo é possível num mundo globalizado. O que atrasa e prejudica a nossa saúde pública são os cortes de verbas motivados, antes de tudo, por ideologias politicas, conjuntamente com o afastamento dos técnicos e cientistas dos postos de decisões do Ministério da Saúde, colocando em seu lugar políticos aliados sem nenhuma competência técnico científica. Não adianta pensar que Deus é brasileiro, ele já mostrou que não é.